Plano de Restauração - Lano Alto
Apresentação
Este documento integra as atividades do Projeto Pecuária Floresta e tem como objetivo orientar o planejamento das ações de restauração florestal na propriedade Lano Alto. As intervenções estão programadas para o período das águas de 2025/2026, considerando que os anos seguintes ainda passarão por nova avaliação e poderão receber recomendações adicionais.
A caracterização das áreas encontra-se detalhada neste diagnóstico e os mapas com respectivos tamanhos e localização das áreas.
O conteúdo está organizado da seguinte forma: primeiro são apresentadas as orientações gerais, seguidas pelas recomendações de plantio por talhão. Ao final, encontra-se a lista das espécies indicadas para uso nas áreas de restauração.
Recomendações gerais
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Observar a declividade e utilizar práticas de conservação de solo sempre que possível, diminuindo a velocidade da água.
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Realizar o plantio de espécies nativas em curvas de nível, com auxilio de uma ferramenta adequada, como pé de galinha ou mangueira de nível.
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As intervenções a nível de solo acontecerão somente nos berços e coroas.
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A coroa das mudas deve ser capinada com 1 metro de diâmetro e os berços sempre que possível 30 cm tanto de profundidade como de largura.
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A correção de solo e a adubação serão realizadas nos berços com aplicação de Bokashi e calcário dolomítico com pelo menos um mês antes do plantio.
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A adubação verde deverá ser realizada por meio da semeadura direta nas coroas das mudas. Sendo que 3 covetas deverá conter feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) nas margens do berço e plantio de feijão-guandú (Cajanus cajan) e crotalária (Crotalaria juncea) nas duas pontas de cada berço, promovendo a fixação biológica de nitrogênio, o sombreamento do solo e o controle de plantas daninhas.\
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A roçada deve ser realizada com a técnica de condução da regeneração, ou seja, deve-se atentar a roçar apenas a gramínea exótica, mantendo as regenerantes herbáceas e arbustivas.
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A palhada decorrente da roçada deve ser disposta nas linhas, priorizando as coroas.
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O manejo da adubação verde deve ser realizado em conjunto com a roçada da braquiária, antes do florescimento, favorecendo a ciclagem de nutrientes e evitando a competição por luminosidade com as mudas recém-plantadas.
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As mudas nativas adquiridas devem apresentar bons aspectos fitossanitários, ou seja, sem fungos e doenças. As mudas devem ser aclimatizadas no viveiro a pleno sol (processo de rustificação).
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Durante o período chuvoso, deve-se realizar diagnósticos a cada 20 dias para avaliar a necessidade de novas roçadas e, quando pertinente, redistribuir a palhada nos berços e/ou ao longo das linhas de plantio, reforçando a cobertura orgânica.
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No entorno e nos berços das formigas cortadeiras "quens quens" será realizada a movimentação do ninho e aplicado o calcário, já para formigas atas, deve ser aplicado formicida a base de fipronil nos carreiros. É necessário o monitoramento e controle 15 dias antes dos plantio e em todas as visitas de manejo e acompanhamento das áreas.
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Quando há presença de espécies arbóreas regenerantes, com ciclo de vida longo, o espaçamento entre as mudas pode ser ampliado. Por outro lado, em áreas onde predominam espécies arbustivas de ciclo curto, como alecrins e assa-peixe, recomenda-se posicionar as mudas próximas a esses indivíduos,
aproveitando o microclima criado por eles e ocupando o espaço que será liberado com a senescência dessas espécies posteriormente.
Objetivo da restauração
A maioria dos talhões da propriedade apresentam regenerantes nativos, solos rasos, com baixo teor de matéria orgânica e histórico de uso como pastagem para animais de grande porte. Nesse contexto, a restauração florestal tem como objetivo restabelecer as condições ecológicas das áreas por meio do plantio de mudas nativas da Mata Atlântica e da semeadura de espécies de adubação verde (AV).
Recomendações específicas
Talhão 1
Este talhão com 4856 m², voltado para a face sul, apresenta maior umidade e, por estar cercado há alguns anos, já abriga diversos indivíduos arbóreos típicos dos estágios iniciais de regeneração porém com predominância de braquiária em alguns locais.
Recomenda-se o plantio de espécies de preenchimento, com o objetivo de suprimir a vegetação invasora e acelerar a formação da cobertura vegetal. O espaçamento adotado será de 3 x 2 metros (3 metros entre linhas e 2 metros entre plantas).
A área inclui uma encosta com alta declividade, onde não se recomenda o plantio de mudas nem a realização de roçadas, devido ao risco elevado de erosão. Por isso, apenas 50% da área será utilizada para o plantio, o que corresponde a aproximadamente 2500 m². Nessa porção serão utilizadas 420 mudas de espécies florestais nativas.
Talhão 2
O talhão com 3207 m² apresenta aproximadamente 90% de sua superfície coberta por pastagem degradada. Observam-se sinais de erosão laminar, e a área está voltada para a face norte, os outros 10% contém uma nascente e conta com indivíduos nativos arbóreos adultos.
Recomenda-se realizar o plantio de espécies nativas de preenchimento em curvas de nível, priorizando aquelas com alta capacidade de adaptação e crescimento rápido, com o objetivo de promover sombreamento e proteção do solo. O plantio será executado exclusivamente em áreas atualmente ocupadas por pastagem, que ocupam cerca de 2887 m².
Devido à orientação do talhão voltada para a face norte, condição que resulta em alta incidência de radiação solar e menor umidade no solo, recomenda-se o adensamento do plantio com espaçamento de 2x2 metros, totalizando 720 mudas de espécies florestais nativas. Essa estratégia favorece a interação entre as mudas e a rápida
aproximação das copas, contribuindo para a formação mais eficiente do dossel e para a melhoria das condições microclimáticas no interior do talhão.
Talhão 3
Atividade pré implantação
Na área em questão, foi realizada uma primeira intervenção de manejo em abril de 2025, com a implantação de adubação verde. A atividade teve como objetivo testar o desempenho da ferramenta pé-de-galinha. A roçada foi conduzida ao longo das linhas de plantio, com espaçamento médio de 1,5 metros entre plantas e aproximadamente 3 metros entre linhas, ajustado conforme o traçado das curvas de nível. Para correção localizada do solo utilizou-se 50 g de calcário calcítico por berço.
Na avaliação da atividade, observou-se que o capim-gordura proporcionou alto aporte de matéria orgânica, apresentando baixa taxa de decomposição provavelmente devido a época do ano. O feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) apresentou germinação uniforme e bom estabelecimento inicial, indicando boa adaptação às condições do local. Em contrapartida, a aveia (Avena sativa) e o nabo forrageiro (Raphanus sativus) demonstraram baixa taxa de germinação e crescimento vegetativo restrito, sugerindo menor compatibilidade com as condições edafoclimáticas vigentes.
Recomendação
O talhão possui área total de 5.300,34 m², porém o plantio será realizado apenas nas porções atualmente ocupadas por pastagem, totalizando aproximadamente 3.000 m². Nessa área, será implantado o plantio de 500 mudas com espaçamento de 3x2 metros. Já os trechos com vegetação em regeneração natural e maior declividade serão manejados por meio de regeneração assistida, podendo receber semeadura de espécies florestais ao longo do projeto.
Talhão 4
A área de pasto do talhão (com cerca de 2300 m²) tem regeneração natural em estágio inicial, com presença de alecrim e assa-peixe, já na área de APP hídrica (com 3200 m²), de alta declividade, conta com indivíduos arbóreos adultos, nesta área será conduzida a regeneração assistida, com possibilidade de semeadura de espécies florestais nativas ao longo do projeto.
O plantio será executado exclusivamente em áreas atualmente ocupadas por pastagem com espaçamento de 3x2 metros totalizando 380 mudas.
Talhão 5
No início de 2025 houve um incêndio em parte deste talhão, hoje observa-se regeneração natural predominante de espécies herbáceas, onde os poucos indivíduos arbustivos vivos apresentam rebrota.
O talhão possui área total de 8502 m². A porção superior, localizada acima do chalé, apresenta presença de indivíduos arbóreos adultos. Dessa forma, utilizaremos espécies de diversidade. Enquanto a porção inferior apresenta menor quantidade de espécies regenerantes, sendo necessário o plantio de espécies pioneiras. Para preservar a vista a partir do chalé, será adotado um arranjo paisagístico que prevê o uso de mudas de menor porte nas faixas mais próximas à construção, podendo aumentar gradativamente o porte das espécies conforme a declividade do terreno. O plantio será realizado com espaçamento de 3 x 2 metros, totalizando cerca de 1400 mudas de espécies florestais nativas.
Talhão 6
A área em questão encontra-se em estágio inicial de restauração ecológica, apresentando alta dominância de gramíneas exóticas, como capim-gordura e sapé, embora já possua alguns indivíduos arbóreos adultos distribuídos pelo talhão.
É necessária a exclusão de equinos da área destinada à restauração, a fim de evitar o pisoteio e a compactação do solo, bem como a supressão da regeneração natural.
Propõe-se a introdução de espécies de preenchimento e de diversidade, com o objetivo de aumentar a heterogeneidade estrutural e funcional do ecossistema em recuperação. As espécies de preenchimento deverão ser implantadas preferencialmente em áreas com maior incidência de luz solar, enquanto as espécies de diversidade serão alocadas em locais mais sombreados, respeitando a presença dos indivíduos arbóreos preexistentes e evitando o plantio excessivamente próximo a essas árvores.
A área total do talhão é de 6678 m² no entanto, apresenta alta declividade, o que limita a sua utilização integral para o plantio de mudas. Nestes locais de alta declividade será realizada a regeneração assistida. Dessa forma, aproximadamente 2700 m² serão efetivamente utilizados para o plantio de mudas, com espaçamento de 3 x 2 metros, totalizando aproximadamente 450 mudas de espécies florestais nativas.
Talhão 7
Situado na parte mais elevada da propriedade, o talhão encontra-se em fase inicial de restauração, apresentando ainda trechos com forte presença de gramíneas exóticas.
Introdução de espécies de preenchimento e diversidade, sendo espécies que promovam a diversidade vegetal e a atração da fauna local. O espaçamento deve-se levar em conta os indivíduos já existentes no local, sendo que as espécies de preenchimento devem ser plantadas em áreas com maior incidência de luz solar e as de diversidade em áreas com mais sombreadas, evitando o plantio muito próximo a árvores já existentes. Serão plantadas 660 mudas no talhão, que ao todo tem 6551 m².
| NOME_POPULAR | NOME_CIENTIFICO | Terreno | Sucessão ecológica | Dispersão | Talhão 1 | Talhão 2 | Talhão 3 | Talhão 4 | Talhão 5 | Talhão 6 | Talhão 7 | Total |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Angico-vermelho | Anadenanthera macrocarpa Benth. | encosta | NP | AUT | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 50 | 40 | 90 |
| Açoita Cavalo Miudo | Luehea divaricata | encosta | NP | ANE | 60 | 100 | 80 | 50 | 100 | 30 | 20 | 440 |
| Araçá-vermelho | Anadenanthera var. Cebil | úmida | NP | AUT | 0 | 0 | 0 | 0 | 80 | 0 | 0 | 80 |
| Aroeira-pimenteira | Schinus terebinthifolius | encosta | P | ZOO | 0 | 0 | 0 | 0 | 80 | 20 | 20 | 120 |
| Boleira | Joanesia princeps | encosta | P | ZOO | 40 | 120 | 0 | 0 | 100 | 30 | 30 | 320 |
| Camboatã | Cupania vernalis | NP | ZOO | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 30 | 30 | 60 | |
| Canafistula | Peltophorum dubium (Spreng.) Taub. | úmido | P | ZOO | 60 | 160 | 80 | 60 | 100 | 30 | 30 | 520 |
| Capixingui | Croton floribundus Spreng. | topo | P | AUT | 60 | 100 | 60 | 40 | 80 | 30 | 30 | 400 |
| Capororoca | Myrsine umbellata | úmido | NP | ZOO | 30 | 50 | 50 | 35 | 50 | 15 | 15 | 245 |
| Guarantã | Esenbeckia leiocarpa Engl. | encosta | NP | AUT | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 30 | 30 |
| Guapuruvu | Schizolobium parahyba | úmido | P | ANE | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 30 | 30 |
| Ingá ferradura | Inga sessilis | P | 0 | 30 | 50 | 50 | 35 | 50 | 15 | 15 | ||
| Ipê-amarelo | Handroanthus spp. | encosta | NP | ANE | 0 | 0 | 0 | 0 | 60 | 20 | 30 | 110 |
| Ipê-roxo | Tabebuia avellanedae | encosta | NP | ANE | 0 | 0 | 0 | 0 | 60 | 0 | 30 | 90 |
| Lobeira da Mata | Solanum grandiflorum | topo | P | ZOO | 0 | 0 | 0 | 0 | 60 | 0 | 0 | 60 |
| Paineira-rosa | Chorisia speciosa A. St. -Hill | úmida | NP | ANE | 0 | 0 | 0 | 0 | 50 | 40 | 30 | 120 |
| Pata de vaca | Bauhinia forficata | ambos | P | AUT | 0 | 0 | 70 | 60 | 0 | 0 | 20 | 150 |
| Pau cigarra/aleluiao | Senna multijuga | encosta | P | ZOO | 40 | 60 | 10 | 30 | 70 | 30 | 20 | 260 |
| Pau-viola/tucaneiro | Cytharexylum myriantum | brejoso | P | ZOO | 60 | 80 | 100 | 50 | 100 | 30 | 60 | 480 |
| Sangra-d'água | Croton urucurana Baill. | ambos | P | AUT | 40 | 0 | 0 | 0 | 40 | 0 | 0 | 80 |
| Tamboril | Enterolobium cortisolium | úmida | P | AUT | 0 | 0 | 0 | 20 | 60 | 20 | 30 | 130 |
| Tapiá | Alchornea sidifolia | úmida | P | ZOO | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 30 | 30 |
| Uvaia | Eugenia pyriformis Cambess. [Eugenia uvalha Cambess.] | úmida | NP | ZOO | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 20 | 20 |
| Araucária | Araucaria angustifolia | topo | P | ZOO | 0 | 0 | 0 | 0 | 40 | 20 | 30 | 90 |
| Jatobá | Hymenaea courbaril | úmido | NP | ZOO | 0 | 0 | 0 | 0 | 40 | 30 | 40 | 110 |
| Ingá branco | Inga laurina | ambos | NP | ZOO | 0 | 0 | 0 | 0 | 40 | 10 | 30 | 80 |
| Grumixama | Eugenia brasiliensis | encosta | NP | ZOO | 0 | 0 | 0 | 0 | 30 | 0 | 0 | 30 |
| Urucum | Bixa ollerana | encosta | P | AUT | 0 | 0 | 0 | 0 | 50 | 0 | 0 | 50 |
| Jerivá | Syagrus romanzoffiana | ambos | NP | ZOO | 0 | 0 | 0 | 0 | 30 | 0 | 0 | 30 |
| Quantidade mudas | 420 | 720 | 500 | 380 | 1400 | 450 | 660 | 4530 |
Sementes e Insumos por talhão
| Insumo | T1 | T2 | T3 | T4 | T5 | T6 | T7 | Total |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Feijão de porco | 2,9 | 4,9 | 3,4 | 2,6 | 9,5 | 3,1 | 4,5 | 30,9 |
| Feijão guandu | 0,13 | 0,11 | 0,08 | 0,06 | 0,21 | 0,07 | 0,1 | 0,74 |
| Crotalária | 0,03 | 0,05 | 0,04 | 0,03 | 0,10 | 0,03 | 0,05 | 0,37 |
| Calcário dolomítico | 42 | 72 | 50 | 38 | 140 | 45 | 66 | 453 |
| Bokashi | 42 | 72 | 50 | 38 | 140 | 45 | 66 | 453 |
| Hidrogel | 1,26 | 2,16 | 1,5 | 1,14 | 4,2 | 1,35 | 1,98 | 13,59 |
*Valores dos insumos em Kg