Plano de Restauração - São José do Alto da Cruz

Apresentação

Este documento integra as atividades do Projeto Pecuária Floresta e tem como objetivo orientar o planejamento das ações de restauração florestal na propriedade São José do Alto da Cruz. As intervenções estão programadas para o período das águas de 2025/2026, considerando que os anos seguintes ainda passarão por nova avaliação e poderão receber recomendações adicionais.

A caracterização da área encontra-se detalhada neste diagnóstico e o mapa com o tamanho e localização da área.

O conteúdo está organizado da seguinte forma: primeiro são apresentadas as orientações gerais, seguidas pelas recomendações de plantio do talhão. Ao final, encontra-se a lista das espécies indicadas para uso nas áreas de restauração.

Recomendações gerais

1. Observar a declividade e utilizar práticas de conservação de solo sempre que possível, diminuindo a velocidade da água.

2. Realizar o plantio de espécies nativas em curvas de nível, com auxílio de uma ferramenta adequada, como pé de galinha ou mangueira de nível.

3. As intervenções a nível de solo acontecerão somente nos berços e coroas.

4. A coroa das mudas deve ser capinada com 1 metro de diâmetro e os berços sempre que possível com 30 cm tanto de profundidade como de largura.

5. A correção de solo e a adubação serão realizadas nos berços com aplicação de Bokashi (100g/berço) e calcário dolomítico (100g/berço) com pelo menos um mês antes do plantio.

6. A adubação verde deverá ser realizada por meio da semeadura direta nas coroas das mudas. Sendo que 3 covetas deverá conter feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) nas margens do berço e plantio de feijão-guandú (Cajanus cajan) e crotalária (Crotalaria juncea) nas duas pontas de cada berço, promovendo a fixação biológica de nitrogênio, o sombreamento do solo e o controle de plantas daninhas.

Figura 1 - esquema de plantio de adubação verde

7. A roçada deve ser realizada com a técnica de condução da regeneração, ou seja, deve-se atentar para roçar apenas a gramínea exótica, mantendo as regenerantes herbáceas e arbustivas.

8. A palhada decorrente da roçada deve ser disposta nas linhas, priorizando as coroas.

9. O manejo da adubação verde deve ser realizado em conjunto com a roçada da braquiária, antes do florescimento, favorecendo a ciclagem de nutrientes e evitando a competição por luminosidade com as mudas recém-plantadas.

10. As mudas nativas adquiridas devem apresentar bons aspectos fitossanitários, ou seja, sem fungos e doenças. As mudas devem ser aclimatizadas no viveiro a pleno sol (processo de rustificação).

11. Durante o período chuvoso, deve-se realizar diagnósticos a cada 20 dias para avaliar a necessidade de novas roçadas e, quando pertinente, redistribuir a palhada nos berços e/ou ao longo das linhas de plantio, reforçando a cobertura orgânica.

12. No entorno e nos berços das formigas cortadeiras "quens quens" será realizada a movimentação do ninho e aplicado o calcário, já para formigas atas, deve ser aplicado formicida a base de fipronil nos carreiros. É necessário o monitoramento e controle 15 dias antes dos plantio e em todas as visitas de manejo e acompanhamento das áreas.

13. Quando há presença de espécies arbóreas regenerantes, com ciclo de vida longo, o espaçamento entre as mudas pode ser ampliado. Por outro lado, em áreas onde predominam espécies arbustivas de ciclo curto, como alecrins e
assa-peixe, recomenda-se posicionar as mudas próximas a esses indivíduos, aproveitando o microclima criado por eles e ocupando o espaço que será liberado com a senescência dessas espécies posteriormente.

Objetivo da restauração

Este talhão está localizado ao redor de um lago artificial, com presença de espécies nativas plantadas. Por estar situada na parte baixa do terreno, tem presença de matéria orgânica e boa condição de drenagem. Nesse contexto, a restauração florestal tem como objetivo favorecer o crescimento de regenerantes, erradicar a braquiária e trazer espécies de diversidade com tempo de vida longo.

Recomendações específicas

Talhão 1

Este talhão contém 7774,28 m². Considerando que a área já apresenta diversos indivíduos arbóreos e elevada quantidade de matéria orgânica no solo, proveniente da deposição de folhas e da braquiária roçada, recomenda-se o plantio prioritário de espécies de diversidade, complementado por indivíduos de preenchimento nas áreas onde o dossel ainda não está estabelecido. Considerando o tamanho da represa, á área de plantio tem aproximadamente 5000 m², ali deve-se adotar espaçamento 3x3 metros, intercalando as mudas com os indivíduos arbóreos preexistentes, totalizando 555 mudas.

Lista de mudas

NOME POPULARNOME CIENTÍFICOTerrenoSucessão ecológicaDispersãoTalhão 1
Angico-vermelhoAnadenanthera macrocarpa Benth.encostaNPAUT20
BoleiraJoanesia princepsencostaPZOO20
CamboatãCupania vernalis0NPZOO20
CanafistulaPeltophorum dubium (Spreng.) Taub.úmidoPZOO10
Canela pretaOcotea catharinensis0NPZOO5
CapixinguiCroton floribundus Spreng.topoPAUT20
GuarantãEsenbeckia leiocarpa Engl.encostaNPAUT20
GuapuruvuSchizolobium parahybaúmidoPANE10
Ingá-do-brejoInga uruguensisbrejosoPHIDR10
Ipê-roxoTabebuia avellanedaeencostaNPANE10
Manacá-da-serraTibouchina mutabilisencostaPAUT10
Palmito JuçaraEuterpe edullisúmidaNPZOO30
Paineira-rosaChorisia speciosa A. St. -HillúmidaNPANE20
Pau cigarra/aleluiaoSenna multijugaencostaPZOO10
Pau polvoraTrema micrantha0PZOO10
PitangaEugenia uniflora L.úmidaNPZOO30
AraucáriaAraucaria angustifoliatopoPZOO30
JatobáHymenaea courbarilúmidoNPZOO25
Peroba rosaAspidosperma polyneuronencostaNPANE25
CopaíbaCopaifera langsdorffiiencostaNPZOO30
Cedro rosaCedrela fissilisencostaNPANE25
CabeludinhaMyrciaria glaziovianaencostaNPZOO35
Cereja do rio grandeEugenia involucrataencostaNPZOO35
GrumixamaEugenia brasiliensisencostaNPZOO65
UrucumBixa olleranaencostaPAUT30
Quantidade mudas555

Lista de mudas e insumos

Sementes e InsumosNome CientíficoKg
Feijão de porcoCanavalia ensiformis3,8
Feijão guanduCanus cajan0,1
CrotaláriaCrotalaria juncea0,04
Calcário dolomítico55,5
Bokashi55,5
Hidrogel1,7