Introdução

Este relatório é sobre as visitas de Diagnóstico de Floresta realizadas nas propriedades visitadas no contexto do Projeto Pecuária Floresta com nomes: Córrego das Flores, Boa Vista e Lano Alto entre os meses de janeiro e fevereiro de 2025 e Juçara, durante o mês de abril do mesmo ano, no município de São Luiz do Paraitinga.

As visitas foram conduzidas pelas técnicas Ana Laura e Fernanda. Neste documento se tem a metodologia e o resultado do inventário florestal com caracterização do estágio sucessional das áreas. Também as ferramentas de informática utilizadas na coleta de dados.

Metodologia

Dados, registros fotográficos, localização das áreas e um relatorio desse trabalho pode ser acessando clicando aqui.

As informações coletadas foram baseadas na metodologia para tipificação dos estágios do Bioma Mata Atlântica, conforme a Lei nº 11.428/06, Resolução CONAMA 01/94 e Resolução CONAMA 10/93, inspiradas no trabalho de identificação de Marcos Simanovic.

Em cada uma das propriedades foram aplicados alguns formulários, totalizando onze formularios com dados coletados a campo e offline utilizando aplicativo KoboCollect.

Esses dados subsidiam os planos de restauração para cada uma das áreas do projeto.

Características avaliadas no diagnóstico:

  1. fisionomia

  2. estratos

  3. altura e DAP

  4. epífitas

  5. trepadeira

  6. serrapilheira

  7. sub-bosque

  8. diversidade biológica

  9. espécies vegetais mais abundantes

Resultados

Lano Alto:

  1. Área 01, situada na coordenada -23.2535099 /-45.2010569, de acordo com os dados coletados das nove características, apenas duas apresentaram estágios diferentes e sete apresentam estágios iguais, “Estratos” em estágio inicial e “Trepadeiras” em estágio avançado. Dessa forma, a classificação final da área é de estágio médio de sucessão ecológica;

  2. Área 02, situada na coordenada -23.2541067/-45.19987 de acordo com os dados coletados, o resultado da classificação da floresta está sendo equilibrado, quatro características apresentaram estágio inicial (Epífitas, estratos, espécies vegetais mais abundantes,altura e DAP) e cinco em estágio médio (fisionomia, trepadeiras, serrapiheira, sub-bosque, diversidade biológica). Dessa forma, a classificação final da floresta é de estágio médio de sucessão ecológica;

  3. Área 03, situada na coordenada -23.2552698 / -45.1992713 de acordo com os dados coletados, o resultado da classificação da floresta está entre pioneiro e inicial, quatro características apresentaram estágio pioneiro (Estratos, epífitas, serrapilheira, altura e DAP) e cinco em estágio inicial (Fisionomia, trepadeiras, sub-bosque, diversidade biológica, espécies vegetais mais abundantes). Dessa forma, a classificação final da floresta é de estágio inicial de sucessão ecológica.

Boa Vista:

  1. Área 01, situada na coordenada -23.2784859 / -45.3665183 de acordo com os dados coletados, apenas duas apresentaram estágios diferentes e sete apresentam estágios iguais, “Estratos” e “Epífitas” em estágio inicial e o restante das características em estágio médio. Dessa forma, a classificação final da área é de estágio médio de sucessão ecológica. Nesta área existe uma observação, área declivosa com presença de mudas de juçara com 50 cm, indicando um ótimo sinal de restauração natural;

  2. Área 02, situada na coordenada -23.2794138 / -45.3658309 de acordo com os dados coletados, quatro características apresentaram divergência, sendo duas em estágio inicial (Epífitas, estratos), duas em estágio avançado (trepadeiras, altura e DAP), o restante das cinco características estão em estágio médio. Dessa forma, a classificação final da floresta é de estágio médio de sucessão ecológica. Nesta área também foram encontrados um número significativo como “médio” de carreiros de animais, demonstrando o deslocamento dos mesmos no interior da mata;

  3. Área 03, situada na coordenada -23.2791426 / -45.3615999 de acordo com os dados coletados, três características apresentaram estágio inicial (Estratos, epífitas e diversidade biológica), uma característica de estágio avançado (trepadeiras) e cinco em estágio médio (Fisionomia, altura e DAP, sub-bosque, serrapilheira e espécies vegetais mais abundantes). Dessa forma, a classificação final da floresta é de estágio médio de sucessão ecológica. Nesta área há muito cipó e é uma área com muita declividade.

Córrego das Flores:

  1. Área 01, situada na coordenada -23.236615 /-45.2543017, de acordo com os dados coletados, duas características apresentaram estágio avançado (Estratos e sub-bosque), e sete em estágio médio (Fisionomia, epífitas, altura e DAP, trepadeiras, serrapilheira, diversidade biológica e espécies vegetais mais abundantes). Dessa forma, a classificação final da floresta é de estágio médio de sucessão ecológica. Nesta área há muito cipó e é uma área declive;

  2. Área 02, situada na coordenada -23.2450788 / -45.256992 de acordo com os dados coletados, o resultado da classificação da floresta está sendo equilibrado, quatro características apresentaram estágio avançado (Epífitas, estratos, trepadeiras e altura e DAP) e cinco em estágio médio (fisionomia, serrapiheira, sub-bosque, diversidade biológica e espécies vegetais mais abundantes). Dessa forma, a classificação final da floresta é de estágio médio de sucessão ecológica. No local foi identificada uma espécie conhecida como uvaia da família Myrtaceaea e espécies não identificadas da família rubiaceae;

  3. Área 03, situada na coordenada -23.2456907 / -45.2559159 de acordo com os dados coletados, duas características apresentaram estágio avançado (Estratos, altura e DAP) e cinco em estágio médio (Fisionomia, epífitas, trepadeiras, serrapilheira, sub-bosque, diversidade biológica e espécies vegetais mais abundantes). Dessa forma, a classificação final da floresta é de estágio médio de sucessão ecológica. A floresta possui aproximadamente 30 anos com manejos do sub-bosque, não possui a espécie Juçara.

Sítio Juçara:

  1. Área 01, situada na coordenada -23.3172743 / -45.3026767, de acordo com os dados coletados, o resultado da classificação da floresta está equilibrado, sendo cinco características apresentaram estágio inicial (Epífitas, estratos, trepadeiras, altura e DAP e Espécies vegetais mais abundantes) e quatro em estágio médio (fisionomia, serrapilheira, subbosque e diversidade biológica). Dessa forma, a classificação final da área é de estágio inicial de sucessão ecológica;

  2. Área 02, situada na coordenada -23.3162549 /-45.3001743 de acordo com os dados coletados das nove características avaliadas durante a vistoria, apenas uma apresenta estágio diferente e seis apresentam estágios iguais, “Espécies vegetais mais abundantes” em estágio inicial e o restante das características em estágio médio. Dessa forma, a classificação final da floresta é de estágio médio de sucessão ecológica;

FERRAMENTAS DE INFORMÁTICA PARA COLETA DE DADOS

Para esse trabalho foram utilizadas cinco (5) ferramentas de informática, em momentos distintos: o Qfield, Geo Tracker, Merlin Bird ID, Timestamp câmera e o Kobotoolbox, sendo aceita o uso dessas ferramentas e aplicativos para os diagnósticos de florestas.

• O QFIELD, ferramenta utilizada para alimentar os mapas (geolocalização) de cada uma das propriedades, com dados hidrográficos, área total da propriedade, Área de Preservação Permanente (APPs) e Reserva Legal (RL), obtidas na base de dados oficial do CAR, para auxílio na identificação das áreas;

• GEO TRACKER, ferramenta utilizada para realizar o track, ou seja, o trajeto feito na visita, pontos de interesse de intervenções e sua exportação em formatos gpx e kmz; • MERLIN BIRD ID, aplicativo utilizado para identificação das espécies de aves regionais, de acordo com os áudios gravados no dia do diagnóstico, além de identificação visual no dia. Obs: Este aplicativo reconhece 42% das aves presentes no local.

• TIMESTAMP CÂMERA, ferramenta utilizada para registros fotográficos com dados locais: coordenada geográfica, data, hora, altimetria e endereço. • KOBOTOOLBOX, ferramenta utilizada para a coleta de dados por meio de formulário, previamente construído pelas técnicas do projeto para coleta de dados in loco. O formulário inclui fotos, coordenadas geográficas e outras informações, que podem ser acessadas ao clicar em cada um dos diagnósticos exibidos no mapa.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Houveram algumas observações relevantes nas áreas em relação à fauna:

Em relação a outros animais da fauna foram encontrados carreiros de outros animais e algumas tocas e buracos de tatu nas quatro propriedades.

Na Fazenda Boa Vista, o proprietário já avistou paca, quati e tatu, predominantemente animais de pequeno porte. Já na Fazenda Córrego das Flores, foram identificados buracos de tatu e registrada a presença da borboleta Frugívoras capitão-do-mato (Morpho helenor), uma bioindicadora de qualidade ambiental. Além disso, foi observado outro animal que, apesar de não ser considerado bioindicador, desempenha um papel importante no manejo das mesmas, para que as mudas cresçam com qualidade sem a sua presença; a formiga cortadeira saúva-limão (Atta sexdens).

Em relação a carreiros de animais, nas quatro propriedades foram encontrados de acordo com a quantidade descrita abaixo:

Em relação às aves (avistamento e escuta):

Na Fazenda Lano Alto foram ouvidas espécies “geralmente avistadas” como: Pula-Pula/Juruviara/pichoreré/Tiê-de-topete/Cabeçudo/Arapaçu e espécie “pouco avistadas” como Jurith-pupu, o horário do diagnóstico não foi o melhor horário, não ajudando nessa coleta de dados, teria que ser realizar em outro horário. Em resumo, as espécies ouvidas foram as espécies esperadas, o que é um bom indicativo para as áreas, onde a floresta está fazendo sua função.

Já na fazenda Boa vista foram avistadas e escutadas espécies “geralmente avistadas” como: Choca-da-mata/PulaPula/Juruviara/Pitiguari/Sabiá-barranco/Irré/Maria-cavaleira, além de espécie “pouco avistadas” como Jurith-pupu/Enferrujado/Caneleiro-preto/Saci/ e espécies “dificilmente avistada” como: Sabiá-coleira/Inhambu-chintã. O resultado das espécies avistadas e ouvidas contribui para evidenciar que a floresta está sendo um ambiente saudável para as espécies que ali habitam, sendo encontrada inclusive espécies dificilmente avistadas.

Na fazenda Córrego das Flores foram avistadas e ouvidas espécies de áreas abertas e áreas do interior da mata, o que era esperado. Espécies “geralmente avistadas”: Gralha do campo/ Pitiguari/ Bem-te-vi/ Piriquitão/ Rolinha-roxa/ Tangará/ Pichorere/ Pula-Pula/ Choca-da-mata/ Gavião-carijó/ Pula-pula-assobiador e espécies pouco avistadas Patinho/ Inhambu-chitã/ Juritipupu/ Inhambu-guaçu/ Beija-flor-de peito-azul. O que demonstra um equilíbrio da floresta em relação às aves.

No Sitio Juçara foram avistadas e ouvidas espécies de aves de áreas abertas e áreas do interior da mata, o que era esperado. Espécies “geralmente e facilmente avistadas”: Bem-ti-vi/ Cambacica/ Canário-da-terra/ Pitiguari/ Gavião-carijó e espécies “pouco avistadas” Gralha-do-campo. O que demonstra pouca diversidade no interior da floresta em relação às aves. Apesar da realização dos diagnósticos iniciais, a propriedade Córrego das Flores não foi incluída no projeto por motivos de desistência dos proprietários. Dessa forma, foi possível dar continuidade às atividades na propriedade Sítio Juçara.

No que diz respeito a flora, a maioria dos fragmentos apresentam como estágio médio, porém faltam algumas espécies-chave da flora como a palmeira juçara, tão importante para a conservação dos fragmentos.

REGISTROS FOTOGRÁFICOS

Foto 01: Vista da área 02 da Floresta na propriedade Lano Alto.

Foto 02: Vista da área 02 e 03 da Floresta na propriedade Boa Vista.

Foto 03: Vista da área 01 e 02 de Floresta na propriedade Sítio Juçara.

LOCALIZAÇÃO DAS PROPRIEDADES

Mapa 01: Localização das propriedades participantes do Projeto: Boa Vista/ Lano Alto/ Córrego das Flores/ Sitio Juçara.

Para maiores informações sobre a localização das propriedades acesse este link com o mapa onde tem os dados de todos os formulários aplicados nessa pesquisa.